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CORNÉLIO, O GENTIO CONVERTIDO

Cornélio, um nome incomum na comunidade judaica, contudo muito comum no império romano. O nome vem da palavra cornu, que se traduz para corno, chifre, significando duro como chifre. Uma pessoa com esse nome deveria ser durão com os seus subordinados e mais áspero ainda com o povo submetido ao jugo de Roma.

Todavia não é isso que se entende quando se lê o texto da Palavra de Deus  em Atos capítulo 10. A descrição desse homem é de alguém sensível, humano, terno e afetuoso ao povo que estava debaixo do domínio da grande potência da qual ele era um dos capitães. Diz o texto que ele “fazia muitas esmolas ao povo”. Sensível a necessidade das pessoas carentes, com um coração aberto para  Deus.

De contínuo orava a Deus. Um homem com muitas preocupações, tendo de  comandar uma centena de soldados,  cuidando  de todos os detalhes da tropa, sempre de prontidão para qualquer levante, no entanto tinha um tempo reservado para orar a Deus, orava consecutivamente ao Senhor. No linguajar evangélico dos dias atuais, pode-se dizer que ele fazia a sua hora devocional todos os dias. Um homem com agenda apertada pelos afazeres da caserna, no entanto tirava tempo para estar na presença do Senhor em oração.

Esse era um  homem sem o estereótipo da religião. Muito pelo contrário, um homem de guerra, de sangue, de batalhas e de conquistas militares,  porém com um coração pacificado pela paz que Deus dá, um coração cheio de amor ao próximo e a Deus.

Um anjo de Deus se aproximou dele. Poucos foram os homens na face da terra que tiveram o privilégio de receber a visita de um anjo. Pode-se  contar nos dedos os homens visitados por emissários divinos. Menos ainda gentios, ou seja, homens que não faziam parte do povo escolhido de Deus.  É maravilhoso ouvir estas palavras que Cornélio ouviu: “ suas orações e esmolas subiram para memória diante de Deus”.

Homem reto e temente a Deus e tendo bom testemunho de toda nação judaica. Mais interessante ainda é o que os seus próprios empregados diziam a seu respeito. Muitas pessoas são boas aos olhos dos estranhos, dos de fora do convívio diário e habitual, porém esse homem era reto, bom para os seus domésticos, ou seja, para com os empregados mais simples e modestos até aos seus soldados concidadãos de farda.

Estamos na presença de Deus prontos para ouvir. Cornélio não se arrogou a prerrogativa de ser capitão de um esquadrão com mais de cem soldados, pelo contrário ele se humilhou diante de Pedro, prostrando-se e adorando. Pedro obviamente não aceitando tal gesto, ergueu o centurião e disse para não fazer tal coisa,  pois era homem igual a ele.

Convida toda a sua casa para ouvir a Palavra de Deus.  Diz o texto que juntamente com Cornélio estavam reunidos seus parentes e amigos íntimos. Encontrou Pedro ali na casa do centurião muitas pessoas.  Um  homem pronto para ouvir a maior e melhor notícia que se possa existir – Jesus é o Senhor de todos. Mais ainda, um homem que não queria o Evangelho somente para si mesmo, mas estava desejoso de repartir essas boas novas com parentes e amigos íntimos.

Em qualquer nação, aquele que teme e faz o que é justo lhe é aceitável. A Graça divina não se limita a manifestar no meio evangélico, no meio cristão, num ambiente onde se ensina ou conhece a Bíblia. A Graça se manifesta onde há quebrantamento, onde há amor, onde há temor do Senhor, independentemente de se conhecer ou não a religiosidade. Quem podia imaginar que um centurião romano seria alcançado pela Graça divina? Um guerreiro, com certeza suas mãos haviam tirado a vida de pessoas, uma nação opressora, imperialista. Um homem que não conhecia nada de Bíblia, nada da revelação especial. O Eunuco de Candace pelo menos vinha lendo o profeta Isaias, estava lendo as profecias do VT, tinha contato com a Palavra revelada de Deus, mas esse pobre centurião não conhecia bulhufas.

É isso aí mesmo, em qualquer nação, em qualquer lugar, em qualquer aldeia, em qualquer etnia, onde houver alguém que teme ao Senhor e faz o que lhe é justo será aceitável. Deus não faz acepção de pessoas, orientais ou ocidentais; religiosas ou ateias;  cultas ou incultas;  ricas ou pobres – Ele ama e deseja que todas cheguem ao arrependimento.

A mensagem do Evangelho é a mesma. Pedro tem pregado desde a descida do Espírito Santo em Jerusalém até agora a mesma mensagem. Deus ungiu a Jesus de Nazaré com poder e com o Espírito, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo. Ele e os demais são testemunhas de que após Jesus  ter ressuscitado comeu e bebeu com eles. Jesus mandou que os seus apóstolos pregassem  e testificassem  de que Ele é juiz de vivos e mortos, mas que todo aquele que nele crê receba remissão de pecados.  O  final da história é que todos os que ouviram receberam o Espírito Santo.

Cornélio é o homem que concomitantemente com a sua própria conversão leva dezenas ou até centenas de pessoas a se converterem ao Senhor Jesus. É instrumento de Deus para preparar toda a reunião, todo o encontro com Pedro, convidando parentes e amigos para ouvir.

Um homem durão somente no nome, pois o seu coração estava derretido pelo amor divino. Um homem de guerra com um espírito pacífico, um homem de batalha cuja alma está serena. Um homem que tinha tudo para ser vaidoso e presunçoso contudo se humilha diante da bendita palavra de Deus e recebendo o perdão e a remissão dos seus pecados.

Rev. Washington Paulo Emrich